Neste trabalho mais recente, Ticiana retrata o candomblé em dois tempos: em preto e branco, a força ritual do xiré — cerimônia de canto e dança para honrar e evocar os orixás; em cor, a vibração do retrato contemporâneo que celebra a individualidade do povo de santo.
A tensão entre as duas séries é a tensão própria do terreiro: o que se revela e o que se preserva, o que é festa e o que é fundamento. A monocromia traduz a intensidade da roda, dos atabaques e da incorporação, onde o divino toma o corpo. Em contraponto, os retratos coloridos afirmam a identidade solar — guias, búzios, ojás e rendas como cartografias de proteção, pertencimento e presença política.
























