Geometria das águas


Nos Lençóis Maranhenses, a natureza abandona a figuração. Dunas e lagoas se fundem em composições abstratas onde o branco da areia e o azul das águas disputam o protagonismo da forma. Curvas se desenham e se desfazem ao sabor do vento; lagoas surgem como pinceladas de turquesa sobre uma tela infinita de silício. A escala se perde — o que é imenso parece íntimo, o que é detalhe se revela paisagem.

Este ensaio busca o olhar que subtrai o óbvio: não há horizonte definido, não há referência humana. Apenas o diálogo silencioso entre areia, água, luz e sombra — a geometria improvável que a natureza desenha e redesenha a cada estação, sem jamais se repetir.